Lei Jun propõe cinco iniciativas para acelerar a integração de IA e manufatura inteligente na China

Em 4 de março de 2026, durante a sessão anual da Assembleia Popular Nacional da China, Lei Jun — deputado nacional e fundador, presidente e CEO da Xiaomi — apresentou cinco propostas estratégicas voltadas para o avanço da tecnologia no país. As sugestões concentram-se em áreas como robôs humanoides, segurança na direção inteligente, filantropia tecnológica e formação de talentos, com o objetivo de fortalecer a integração entre inteligência artificial e manufatura avançada.
Robôs humanoides: a próxima grande revolução tecnológica
Segundo Lei Jun, os robôs humanoides podem se tornar a próxima grande inovação tecnológica depois dos smartphones e dos veículos elétricos. Embora a China já possua vantagens iniciais em pesquisa e desenvolvimento, ainda existem obstáculos importantes para a industrialização dessa tecnologia.
Entre os principais desafios estão:
- Baixa estabilidade nos processos de fabricação
- Custos elevados de hardware
- Poucos cenários práticos de aplicação em larga escala
Lei Jun comparou o estágio atual da tecnologia a um “aprendiz”, indicando que ainda está em fase de amadurecimento. Para transformar esses robôs em uma força produtiva real, ele sugere:
- acelerar a engenharia e produção em escala,
- ampliar aplicações na manufatura inteligente,
- e estabelecer padrões de segurança e regulamentação técnica.
A ideia é permitir que os robôs humanoides evoluam de “aprendizes” para “profissionais completos”, contribuindo para a produtividade e o crescimento econômico.
Segurança e padronização para direção inteligente
Outro ponto importante das propostas envolve o avanço dos veículos com direção inteligente. Lei Jun destacou que a rápida expansão dessa tecnologia exige a construção de um novo sistema de segurança no trânsito, adaptado à era dos carros inteligentes.
Ele apontou dois problemas principais:
- Falta de padronização tecnológica entre fabricantes
- Treinamento insuficiente para motoristas que utilizam sistemas avançados de assistência
Para resolver isso, ele defende a criação de normas mais claras de segurança e operação, além de programas de treinamento que preparem motoristas para conviver com veículos cada vez mais autônomos.
Formação de talentos para a nova indústria
Pensando no futuro da indústria, Lei Jun também sugeriu a criação de uma nova área acadêmica interdisciplinar chamada “Veículos Elétricos Inteligentes”. O objetivo seria formar profissionais com conhecimentos combinados em áreas como:
- inteligência artificial
- engenharia automotiva
- software e sistemas embarcados
- ciência de dados
Essa formação integrada ajudaria a desenvolver talentos multidisciplinares, capazes de sustentar a competitividade global do setor.
Incentivo à filantropia tecnológica
Outra proposta relevante é a inclusão de ações filantrópicas em ciência e tecnologia dentro dos critérios de avaliação de inovação. Segundo Lei Jun, reconhecer iniciativas sociais de empresas e indivíduos pode incentivar mais organizações a contribuir para o desenvolvimento tecnológico do país.
Isso ajudaria a aproximar empresas, universidades e sociedade, fortalecendo o ecossistema nacional de inovação.
Promover o “Made in China” através do turismo industrial
Lei Jun também destacou a importância de melhorar o ambiente para turismo industrial, permitindo que mais pessoas conheçam de perto os avanços da manufatura chinesa. Essa iniciativa pode ajudar a fortalecer a imagem internacional do “China Smart Manufacturing”, mostrando ao mundo o progresso tecnológico do país.
Um novo estágio para a inteligência artificial
As propostas refletem uma mudança importante na indústria: a inteligência artificial está deixando de ser apenas uma tecnologia experimental para se tornar parte central da economia real.
Ao integrar padrões tecnológicos, formação de talentos e governança social, a China busca construir um ecossistema completo que impulsione áreas estratégicas como:
- IA geral
- robótica humanoide
- veículos inteligentes conectados
Esse movimento pode reforçar significativamente a competitividade global do país nas tecnologias do futuro.