Amazon corta 30 mil empregos em menos de quatro meses e aposta em IA para transformar sua estrutura

A Amazon anunciou recentemente mais uma rodada de demissões, afetando cerca de 16 mil funcionários. A decisão vem poucos meses após a empresa ter dispensado 14 mil colaboradores em outubro do ano passado. Com isso, o total de cortes chega a aproximadamente 30 mil empregos corporativos em menos de quatro meses.
A confirmação foi feita por Beth Galetti, vice-presidente sênior de Experiência e Tecnologia de Pessoas da Amazon, em uma comunicação interna. Segundo ela, os funcionários nos Estados Unidos que foram impactados terão 90 dias para buscar uma recolocação dentro da própria empresa. Caso não consigam uma nova posição nesse período, receberão indenização e suporte para a transição de carreira.
Combater o “problema das grandes empresas”
O CEO da Amazon, Andy Jassy, explicou que a reestruturação não está relacionada apenas à redução de custos. O objetivo principal seria combater o chamado “problema das grandes empresas”, quando organizações crescem tanto que passam a ter camadas excessivas de gestão e processos lentos de decisão.
Durante a pandemia, a Amazon expandiu suas operações de forma acelerada, o que acabou criando uma estrutura mais pesada e burocrática. Agora, a empresa quer voltar a operar com a mentalidade de uma “startup gigante global”.
Para isso, a estratégia inclui:
- Reduzir níveis de gestão
- Diminuir burocracia interna
- Aumentar autonomia das equipes
- Acelerar a execução de projetos
Jassy também já havia mencionado anteriormente que, com o avanço da inteligência artificial, o número de funcionários corporativos pode diminuir naturalmente nos próximos anos, graças ao ganho de eficiência proporcionado pela tecnologia.
O impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho
Embora a Amazon destaque que a reestruturação é principalmente cultural e organizacional, analistas do setor apontam que a inteligência artificial também desempenha um papel importante nesse movimento.
Em 2025, a empresa investiu quase US$ 100 bilhões em infraestrutura de IA, com o objetivo de integrar tecnologias de IA generativa e automação em diversos processos internos.
Essas tecnologias já estão sendo aplicadas em áreas como:
- Logística e gestão de armazéns
- Processos administrativos
- Análise de dados operacionais
- Automação de fluxos corporativos
Em funções altamente repetitivas e padronizadas, a IA vem demonstrando maior precisão e eficiência, o que inevitavelmente reduz a necessidade de certos tipos de trabalho.
No entanto, a Amazon afirma que o objetivo não é substituir completamente os humanos. A ideia é permitir que a tecnologia assuma tarefas repetitivas, enquanto as pessoas se concentram em atividades que exigem criatividade, comunicação, estratégia e tomada de decisões complexas.
O futuro: colaboração entre humanos e IA
Especialistas acreditam que estamos entrando em uma nova fase do mercado de trabalho, marcada pela colaboração entre humanos e máquinas.
Nesse cenário, a competitividade profissional não dependerá apenas da capacidade de executar tarefas operacionais. O diferencial estará em saber utilizar ferramentas de inteligência artificial para inovar, otimizar processos e criar novos modelos de negócio.
Em outras palavras, o futuro do trabalho tende a ser menos sobre seguir processos e mais sobre criar soluções com apoio da tecnologia.
A transformação já começou — e empresas como a Amazon estão na linha de frente dessa mudança.