A disputa no setor de inteligência artificial está esquentando — e agora deixou de ser apenas uma corrida tecnológica para se transformar também em uma batalha pública de narrativas.
Recentemente, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, criticou duramente a OpenAI e seu CEO Sam Altman, acusando a empresa de mentir sobre questões relacionadas a um contrato com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Conflito começou com contratos militares
Segundo informações divulgadas pela imprensa com base em fontes internas, o conflito surgiu por causa das diferentes posturas das duas empresas diante de possíveis usos militares da inteligência artificial.
A Anthropic teria se recusado a fechar um novo acordo com o Departamento de Defesa porque exigia garantias claras de que suas tecnologias não seriam utilizadas para vigilância em massa dentro do país nem para armas autônomas.
Sem chegar a um entendimento com a empresa, o governo acabou firmando contrato com a OpenAI.
Declarações de Sam Altman geraram revolta
Após o anúncio do acordo, Sam Altman declarou publicamente que o contrato da OpenAI também incluía as mesmas linhas vermelhas de segurança defendidas pela Anthropic.
Essa afirmação, no entanto, provocou forte reação dentro da rival.
Em um memorando interno enviado aos funcionários, Dario Amodei afirmou que a declaração era “uma mentira completa”. Segundo ele, a OpenAI estaria participando de um “jogo de segurança”, aceitando certas cláusulas apenas para tranquilizar funcionários e o público.
Amodei foi ainda mais direto ao criticar Altman, dizendo que ele estaria tentando se apresentar como um “pacificador” e “articulador de acordos”, enquanto na verdade estaria disseminando informações enganosas.
Debate sobre o que é “uso legal”
Um dos principais pontos de discórdia envolve a definição de “uso legal” da tecnologia.
A OpenAI afirma que seu contrato com o governo proíbe explicitamente o uso da IA para vigilância ilegal.
Para Amodei, porém, isso não resolve o problema.
Ele argumenta que o conceito de legalidade pode mudar dependendo de decisões políticas e leis futuras. Assim, algo considerado legal em determinado momento não necessariamente significa que seja seguro ou ético.
Em seu memorando, ele acusou a OpenAI de tentar manipular a narrativa pública ao usar esse argumento.
Reação do público parece favorecer a Anthropic
Enquanto a disputa entre as empresas ganha destaque, alguns dados indicam que a opinião pública pode estar reagindo negativamente ao acordo militar da OpenAI.
Após o anúncio do contrato com o Departamento de Defesa, análises de mercado apontaram um aumento de 295% nas desinstalações do ChatGPT.
No mesmo período, o aplicativo da Anthropic subiu rapidamente nos rankings da App Store, chegando à segunda posição entre os aplicativos mais populares.
No memorando, Amodei mencionou esse movimento como um sinal de que parte do público passou a ver a Anthropic como uma empresa que defende princípios éticos no desenvolvimento da inteligência artificial.
A nova fase da corrida pela IA
O episódio mostra como a disputa entre empresas de IA está entrando em uma nova fase.
Antes focada principalmente em avanços tecnológicos e novos modelos de linguagem, a competição agora envolve também questões éticas, políticas e de reputação pública.
Com governos cada vez mais interessados em usar inteligência artificial em áreas estratégicas, como defesa e segurança, é provável que debates sobre limites, responsabilidade e transparência se tornem cada vez mais centrais na indústria.