Relatórios sobre abuso ritual no Reino Unido aumentam com sobreviventes buscando apoio por meio de IA

Especialistas britânicos em combate ao abuso infantil emitiram um alerta recente: o número de relatos relacionados a abuso ritual organizado está crescendo à medida que sobreviventes começam a utilizar ferramentas de inteligência artificial como forma inicial de apoio emocional e orientação.
Segundo profissionais que trabalham com vítimas, algumas pessoas têm usado chatbots para conversar sobre experiências traumáticas ou buscar caminhos para ajuda psicológica. Em diversos casos, essas ferramentas acabaram incentivando os sobreviventes a procurar organizações de apoio especializadas, o que levou ao aumento de contatos com instituições de assistência.
Abusos ligados a crenças e rituais
A polícia britânica também destacou que crimes classificados como “bruxaria, possessão e abuso espiritual” (WSPRA) continuam sendo um problema pouco denunciado no país. Esse tipo de abuso pode envolver:
- Violência física
- Abuso sexual
- Negligência
- Controle psicológico com elementos ritualísticos
Em muitos casos, os agressores utilizam crenças extremistas, símbolos religiosos distorcidos ou ideologias radicais para manipular e controlar as vítimas.
Aumento nas denúncias
Gabrielle Shaw, diretora executiva da NAPAC (National Association for People Abused in Childhood), afirmou que a organização observou um crescimento constante de relatos nos últimos 18 meses.
Segundo ela, diversos sobreviventes que procuraram ajuda mencionaram que foram orientados por ferramentas de IA a buscar apoio profissional. Embora o uso de inteligência artificial em temas de saúde mental ainda gere debates, especialistas reconhecem que, se a tecnologia ajudar alguém a dar o primeiro passo para buscar ajuda real, o impacto pode ser positivo.
Casos confirmados ainda são poucos
Desde 1982, apenas 14 casos criminais no Reino Unido resultaram em condenações formais envolvendo abuso sexual com elementos ritualísticos.
No entanto, a psicóloga Dra. Ellie Hansen acredita que esses números representam apenas uma pequena parte da realidade. Segundo ela, muitos casos enfrentam dificuldades para avançar no sistema judicial porque:
- As histórias parecem “inacreditáveis” para investigadores
- Falta evidência física suficiente
- Testemunhos podem ser desacreditados
Ela ressalta que esse tipo de abuso não está limitado a um grupo cultural específico. Investigações indicam que ele também ocorre em famílias brancas e de alto status social.
Treinamento policial e novas medidas
Para enfrentar o problema, o Conselho Nacional de Chefes de Polícia do Reino Unido (NPCC) criou um grupo especializado responsável por treinar policiais em todo o país.
O objetivo é melhorar:
- A identificação de sinais de abuso ritual
- A investigação desses crimes
- O atendimento às vítimas
Autoridades britânicas reforçam que o abuso ritual é um problema real e que é necessário desenvolver sistemas mais eficazes de denúncia e investigação para garantir justiça às vítimas.
Tecnologia como porta de entrada para ajuda
Embora a inteligência artificial não substitua profissionais de saúde mental, especialistas apontam que ela pode funcionar como uma primeira porta de conversa para pessoas que têm medo ou vergonha de procurar ajuda diretamente.
Se usada com responsabilidade, a tecnologia pode ajudar sobreviventes a romper o silêncio e encontrar apoio especializado, algo essencial para enfrentar traumas e reconstruir a própria vida.