Google leva agentes de IA Gemini para mais de 3 milhões de pessoas no Departamento de Defesa dos EUA

O Google anunciou um passo importante na integração de inteligência artificial nas operações do governo dos Estados Unidos. A empresa começou a disponibilizar agentes de IA baseados no Gemini para mais de 3 milhões de funcionários civis e militares do Departamento de Defesa (DoD). A iniciativa marca um avanço significativo na parceria entre o Google e o Pentágono e sinaliza que ferramentas de IA já estão entrando no núcleo administrativo da estrutura de defesa americana.
IA inicialmente restrita a redes não classificadas
Segundo Emil Michael, subsecretário de Pesquisa e Engenharia do Departamento de Defesa, as ferramentas de IA atualmente só podem ser usadas em redes não classificadas.
Ainda não há decisão sobre a liberação dessas tecnologias para ambientes com informações confidenciais ou ultrassecretas, o que deverá ser discutido futuramente.
Primeiros agentes focam em tarefas administrativas
A primeira fase do projeto inclui oito agentes de IA personalizados, criados para lidar principalmente com tarefas administrativas que consomem muito tempo. Entre as principais funções estão:
- Organização automática de atas de reuniões
- Apoio na elaboração de orçamentos departamentais
- Análise de planos de operação, verificando se estão alinhados com a estratégia de defesa nacional
Essas tarefas, embora essenciais, costumam exigir muitas horas de trabalho humano — algo que a IA pode acelerar significativamente.
Funcionários também podem criar seus próprios agentes de IA
Um dos pontos mais inovadores do sistema é a possibilidade de criar agentes personalizados usando linguagem natural.
Isso significa que funcionários do Departamento de Defesa podem simplesmente descrever o que precisam, e o sistema gera um agente de IA adaptado para aquela tarefa específica.
Na prática, isso permite que equipes criem ferramentas sob medida para suas rotinas de trabalho, aumentando a eficiência e a automação dentro da organização.
Uso intenso desde o início do projeto
Desde o início do programa piloto, em dezembro do ano passado, o uso da plataforma cresceu rapidamente:
- 1,2 milhão de funcionários já utilizaram o sistema
- Aproximadamente 40 milhões de prompts foram enviados ao sistema
- Mais de 4 milhões de documentos foram processados
Esses números indicam uma forte demanda interna por ferramentas de IA dentro do setor de defesa.
Treinamento ainda é um desafio
Apesar da adoção acelerada, a capacitação dos usuários não acompanha o mesmo ritmo.
Até agora, apenas cerca de 26 mil pessoas concluíram o treinamento oficial de IA, um número muito inferior ao total de usuários ativos.
Isso levanta preocupações sobre uso adequado, segurança e melhores práticas no emprego dessas ferramentas dentro do governo.
Relação entre Google e o Pentágono mudou ao longo dos anos
A parceria entre Google e o setor militar já enfrentou momentos de tensão. Em 2018, a empresa foi alvo de protestos internos por causa do Project Maven, um programa que usava IA para análise de imagens militares.
Na época, milhares de funcionários protestaram contra a participação da empresa em projetos militares, levando o Google a reduzir parte de sua colaboração com o Pentágono.
Nos últimos anos, no entanto, a postura da empresa mudou gradualmente, e a cooperação com o setor de defesa voltou a crescer.
Pentágono diversifica fornecedores de IA
O Departamento de Defesa também está ampliando seu ecossistema de fornecedores de inteligência artificial.
Após divergências com a Anthropic, relacionadas a restrições de segurança, o Pentágono passou a colaborar com outras empresas líderes do setor, incluindo:
- OpenAI
- xAI
Essas parcerias buscam integrar tecnologias de IA em diferentes níveis da infraestrutura digital militar, sempre respeitando limites de segurança.
O que isso significa para o futuro
A adoção de agentes de IA por milhões de funcionários marca um novo capítulo na transformação digital das forças armadas dos EUA.
Mesmo restritas inicialmente a tarefas administrativas e redes não classificadas, essas ferramentas já demonstram potencial para aumentar produtividade, acelerar processos e apoiar decisões estratégicas.
À medida que debates sobre segurança e governança avançam, a presença da inteligência artificial dentro da estrutura de defesa tende a crescer ainda mais nos próximos anos.