No dia 10 de março à noite, a Honor realizou um evento de lançamento de produtos e apresentou oficialmente seu novo smartphone dobrável topo de linha: Magic V6. Mas o aparelho não foi a única novidade. A empresa também revelou uma estratégia ambiciosa para seu ecossistema de inteligência artificial, chamada “Universo da Lagosta” (Lobster Universe) — um conceito que marca a entrada mais profunda da marca no mundo dos agentes de IA integrados aos dispositivos.

Honor aposta em agentes de IA no próprio dispositivo
A proposta da Honor é levar a inteligência artificial além das assistentes tradicionais. Com o novo ecossistema, os agentes de IA passam a executar tarefas diretamente nos dispositivos, como computadores e tablets.
Para isso, a empresa utiliza o OpenClaw, um framework de agentes de IA de código aberto que pode ser implantado localmente. Diferente de sistemas que apenas sugerem ações, o OpenClaw tem capacidade de executar tarefas automaticamente, assumindo o controle de dispositivos para realizar processos completos.
Na prática, isso significa que o agente pode:
- Analisar uma tarefa
- Tomar decisões
- Executar ações diretamente no sistema
Tudo isso sem exigir intervenção constante do usuário.
“Um clique para criar lagostas”: automação entre múltiplos dispositivos
Uma das funções demonstradas pela Honor foi chamada de “criar lagostas com um clique”. Apesar do nome curioso, trata-se de um exemplo de automação inteligente entre diferentes dispositivos.
Com essa funcionalidade, o sistema permite que PCs e tablets executem tarefas automaticamente por meio do agente de IA. No smartphone, o acesso a essas funções acontece através da assistente YOYO, que funciona como a principal interface de interação.
O ecossistema apresentado pela Honor se apoia em três pilares principais:
- Integração de ecossistema – dispositivos trabalhando juntos de forma inteligente
- Segurança – execução local para reduzir riscos de dados
- Colaboração com a assistente YOYO – controle centralizado pelo usuário
A ideia é testar como agentes de IA podem coordenar tarefas complexas entre vários dispositivos ao mesmo tempo.
Crescimento da infraestrutura de IA
O lançamento também reflete um movimento maior do mercado. Com o aumento da demanda por interações baseadas em agentes de IA, plataformas de infraestrutura estão crescendo rapidamente.
Um exemplo é a MiniMax, cuja quantidade de chamadas de API já alcançou o primeiro lugar global. Esse crescimento foi tão expressivo que o valor de mercado da empresa controladora já ultrapassou o da Baidu, mostrando como o setor de IA continua acelerando.
Segurança ainda é um desafio
Apesar do entusiasmo com o “Universo da Lagosta”, especialistas continuam atentos aos riscos de segurança.
O Centro Nacional de Resposta a Emergências da Internet já publicou alertas relacionados ao uso seguro do OpenClaw, destacando possíveis vulnerabilidades quando agentes de IA recebem permissões amplas para operar sistemas.
A Honor afirmou que pretende abrir testes internos (beta) dessas funcionalidades nas próximas semanas. O objetivo é avaliar o comportamento dos agentes de IA em cenários reais antes de expandir o recurso para o público geral.
Um teste para o futuro dos sistemas operacionais
Mais do que uma funcionalidade curiosa, o projeto representa algo maior: um experimento sobre como será a interação com sistemas operacionais no futuro.
Se a ideia funcionar, os usuários poderão delegar tarefas inteiras para agentes de IA, que irão:
- Planejar
- executar
- coordenar ações entre dispositivos
Em vez de apenas clicar em aplicativos, as pessoas poderão simplesmente pedir que o sistema resolva uma tarefa.
O “Universo da Lagosta” pode parecer um conceito experimental hoje, mas ele mostra claramente para onde a indústria está caminhando: um futuro em que “funcionários digitais” trabalham em segundo plano, automatizando tarefas e aumentando a produtividade no dia a dia. 🚀