Mesmo que pareça estar avançando em um ritmo mais lento na corrida das tecnologias nativas de IA, uma gigante da tecnologia continua lucrando fortemente com a onda da inteligência artificial — graças ao seu domínio absoluto em hardware.

De acordo com uma reportagem recente do The Wall Street Journal, a empresa pode ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão em receitas relacionadas à IA até 2026. O mais surpreendente? Esse valor não vem da evolução de seus próprios assistentes virtais, mas sim das taxas cobradas de seus concorrentes.
A “taxa Apple”: um custo inevitável para as gigantes de IA
Embora empresas líderes em modelos de IA estejam à frente em termos de tecnologia, o iPhone ainda é a principal porta de entrada para alcançar consumidores no mundo todo. Isso coloca essas empresas em uma posição curiosa: dependem de um ecossistema controlado por outra gigante.
Como funciona o modelo de cobrança:
- 30% de comissão no primeiro ano de assinatura feita via apps iOS
- 15% nos anos seguintes
Na prática, qualquer usuário que assina um serviço de IA dentro de um app no iPhone gera receita direta para a Apple.
Quem mais contribui:
- Cerca de 75% da receita de IA da Apple vem do ChatGPT
- Em segundo lugar aparece a empresa de Elon Musk, com aproximadamente 5%
Mais do que números: um novo motor de crescimento
Embora US$ 1 bilhão seja relativamente pequeno comparado ao faturamento total da empresa, o impacto estratégico é enorme.
Os aplicativos de IA generativa já se tornaram um dos principais impulsionadores do setor de Serviços, conhecido por suas altas margens de lucro. Em 2025, a receita mensal proveniente dessas comissões chegou a atingir US$ 100 milhões em seu pico.
Para investidores, isso representa algo ainda mais valioso do que o valor em si: crescimento sustentável e previsível.
A estratégia silenciosa da Apple
Enquanto concorrentes investem centenas de bilhões de dólares em data centers e infraestrutura de IA, a Apple segue um caminho diferente — e, até agora, bastante eficaz.
Os pilares dessa estratégia:
- Foco em processamento local (on-device): aproveitando chips próprios e reforçando a privacidade do usuário
- Monetização via distribuição: lucrando com o ecossistema da App Store enquanto outros competem diretamente entre si
Essa abordagem permite que a empresa “assista de camarote” à disputa entre gigantes da IA — enquanto continua arrecadando.
O poder do iPhone continua intacto
Mesmo com oscilações no número de downloads de aplicativos de IA, o domínio da Apple no mercado de smartphones premium garante uma posição privilegiada.
Como destacou recentemente seu CEO, o iPhone continua sendo o centro da vida digital das pessoas.
E enquanto isso for verdade, pouco importa quem lidera a inovação em IA:
todos, de alguma forma, acabam pagando para participar do jogo.