O mercado de transporte por aplicativo está entrando em uma nova fase — e ela vai muito além de simplesmente “chegar mais rápido”. A disputa agora gira em torno de algo mais humano: personalização.

Recentemente, a Didi divulgou dados atualizados sobre seu assistente de mobilidade com inteligência artificial, o “XiaoDi”. E os números mostram uma mudança clara no comportamento dos usuários: não basta mais conseguir um carro — as pessoas querem o carro certo, do jeito que preferem.
Do “chegar rápido” ao “chegar do meu jeito”
Com a possibilidade de pedir um carro usando apenas uma frase, os usuários passaram a expressar preferências mais específicas. E isso revela uma nova tendência no consumo:
- Custo-benefício lidera: 57% dos usuários priorizam corridas que sejam rápidas e baratas.
- Ambiente agradável importa: 12,5% querem carros com “ar limpo”, mostrando preocupação com conforto e bem-estar.
- Menos espera, melhor experiência: 9,9% preferem o carro mais próximo disponível.
Outros pedidos também vêm ganhando força, como “não enjoar”, “banco traseiro espaçoso” e “viagem suave”. Esses detalhes mostram que, em situações como viagens em família ou compromissos de trabalho, o conforto e a experiência emocional são tão importantes quanto o preço.
O app virou um guia do dia a dia
Outro ponto interessante é que os usuários não estão usando o app apenas para se deslocar. Ele está se tornando uma espécie de “assistente de vida urbana”.
Entre os destinos mais buscados estão:
- Estações de metrô
- Cafeterias
- Restaurantes (principalmente de hot pot)
- Banheiros
Ou seja, o transporte deixou de ser apenas um meio e passou a ser parte de uma jornada mais ampla, conectando diferentes necessidades do dia a dia.
Mais planejamento, menos improviso
Os dados também mostram um aumento no uso de agendamentos, como:
- “Amanhã às 8h”
- “Toda segunda-feira”
Isso indica que as pessoas estão buscando mais previsibilidade na rotina. Além disso, cresce o interesse por rotas combinadas — com menos trocas de transporte e menos caminhada — mostrando que a IA está ajudando a otimizar trajetos mais complexos.
IA também ajuda a cuidar do bolso
Um comportamento curioso é o aumento de perguntas relacionadas a gastos, como:
- “Quanto eu gastei com corridas na semana passada?”
- “Qual tipo de carro eu uso com mais frequência?”
Isso mostra que o assistente não está apenas facilitando o transporte, mas também atuando como um pequeno gestor financeiro, ajudando o usuário a entender e controlar seus hábitos de consumo.
Um novo papel para a tecnologia
O que estamos vendo é uma transformação importante: os apps de transporte estão deixando de ser apenas plataformas de oferta de carros e se tornando verdadeiros assistentes pessoais de mobilidade.
Quando alguém pode dizer “quero um carro novo, confortável e que não me dê enjoo” — e ser atendido — a tecnologia deixa de ser fria e passa a ser mais humana.
No fim das contas, essa evolução aponta para um futuro onde a mobilidade urbana não será apenas eficiente, mas também personalizada, confortável e cada vez mais conectada com as necessidades reais das pessoas.