Indústria chinesa reage à IA: novas regras proíbem deepfakes, clonagem de voz e uso indevido de dados

No dia 2 de abril, a Associação de Rádio e Televisão da China, por meio do Comitê de Atores, divulgou uma declaração oficial contra o aumento de violações envolvendo inteligência artificial no setor. O documento marca uma posição firme contra práticas como troca de rostos com IA, clonagem de voz e uso de dados sem autorização para treinar modelos.

Indústria chinesa reage à IA: novas regras proíbem deepfakes, clonagem de voz e uso indevido de dados

A declaração define claramente sete tipos de comportamentos proibidos, cobrindo todo o processo — desde a manipulação de materiais audiovisuais até o treinamento de sistemas de IA. Um ponto importante destacado é que expressões como “uso não comercial”, “compartilhamento público” ou “criação pessoal” não isentam ninguém de responsabilidade legal. Ou seja, mesmo nesses casos, quem cometer infrações poderá responder judicialmente.

Esse movimento representa uma mudança significativa na forma como a indústria do entretenimento está lidando com o impacto da IA generativa. Em vez de ações isoladas de indivíduos, o setor começa a adotar uma abordagem mais organizada e coletiva de regulação.

A declaração surge em meio a uma onda crescente de protestos dentro da indústria. Desde 13 de março, diversos dubladores renomados — como Gu Jiangshan, Zhao Shuang, Bian Jiang e Ji Guanlin — lideraram manifestações contra tecnologias de clonagem de voz que, com poucos minutos de áudio original e baixo custo, conseguem reproduzir vozes com alta precisão.

Além disso, decisões recentes do Tribunal de Internet de Pequim, incluindo o primeiro caso nacional de violação envolvendo voz gerada por IA e outro relacionado à troca de rosto em produções curtas, têm ajudado a esclarecer os limites legais desse tipo de tecnologia.

A nova declaração também reforça a responsabilidade das plataformas e empresas de tecnologia, exigindo a criação de mecanismos rigorosos para verificar autorizações de uso de conteúdo e canais rápidos para lidar com denúncias de violação.

Esse conjunto de ações indica que o setor está entrando em uma nova fase, onde inovação tecnológica precisa caminhar lado a lado com respeito aos direitos autorais e à identidade dos profissionais.

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