De 20 a 1.300 pedidos por dia: como a IA Qwen virou o “Deus da Fortuna” de uma mercearia no interior da China

Enquanto muita gente falava sobre inteligência artificial e grandes modelos de tecnologia neste Ano Novo Lunar, em uma pequena mercearia no interior da China a inovação ganhou um significado bem diferente: mais vendas, mais movimento e uma felicidade que não cabia no peito.

De 20 a 1.300 pedidos por dia: como a IA Qwen virou o “Deus da Fortuna” de uma mercearia no interior da China

“Teve dia que três celulares tocando ao mesmo tempo não davam conta dos pedidos. Nem tempo para almoçar a gente tinha. Mas no fundo, eu estava era feliz. O Qwen virou o nosso ‘Deus da Fortuna’ de 2026!”, contou o comerciante Yang, dono da mercearia Yang Peng Chuang, na cidade de Jishan, província de Shanxi.

De 20 para 1.300 pedidos por dia

No quinto dia do Ano Novo, data tradicionalmente conhecida como o “dia de receber o Deus da Fortuna”, a loja parecia um formigueiro. Prateleiras sendo reabastecidas, familiares ajudando no atendimento, entregadores entrando e saindo sem parar, e pilhas de pedidos já embalados esperando retirada.

“Normalmente a gente recebe pouco mais de 20 pedidos por dia. Depois que a campanha do Qwen começou, chegamos a 1.300 pedidos em um único dia!”, disse Yang, mostrando os números no celular. “Em cerca de dez dias, foram mais de 5.000 pedidos. Sete ou oito vezes mais do que no Ano Novo passado.”

O volume foi tão alto que até a equipe da plataforma precisou ajudar a loja a organizar os pedidos e as embalagens nos dias mais intensos.

O campeão de vendas? Ovos.

Entre os mais de 5.000 pedidos, um produto se destacou disparado: ovos.

“Sem dúvida, o item mais vendido foram os ovos”, afirmou Yang sem hesitar.

Na região, ovos são um produto essencial nas casas durante as festas. A mercearia da família trabalha com esse produto há mais de 30 anos, sempre priorizando qualidade e frescor. A boa reputação já vinha de gerações, com clientes fiéis e até entregadores ajudando a divulgar a loja.

Mas o que realmente impulsionou as vendas foi a combinação entre tradição e tecnologia.

Durante o período festivo, uma cartela de ovos custava entre 15 e 16 yuans. Com um cupom promocional de 25 yuans oferecido pelo aplicativo, muitos clientes praticamente não pagavam nada ao comprar uma cartela. Se comprassem duas, o desconto ainda deixava o valor final muito baixo.

“Você acha que o pessoal não ia aproveitar?”, brincou o comerciante.

Clientes ensinando o dono a usar IA

Curiosamente, Yang nem sabia direito o que era o Qwen no começo.

“Foram os próprios clientes que me explicaram como funcionava”, contou rindo. Jovens que iam retirar os pedidos mostravam na prática: bastava abrir o aplicativo e dizer por voz “me ajuda a comprar ovos”. A ferramenta selecionava o produto, aplicava o desconto automaticamente e finalizava o pedido direto para a loja dele.

O que começou com cupons de 25 yuans evoluiu para promoções diárias de “primeira compra com desconto garantido”. Mesmo quando o desconto caiu para valores menores — como 3,8 yuans — os clientes continuaram usando a função. A praticidade virou hábito.

A ideia de “pedir falando”, sem precisar digitar ou procurar manualmente, deixou de ser novidade e passou a fazer parte da rotina.

Quando a tecnologia encontra o dia a dia

Durante muito tempo, inteligência artificial parecia algo distante, restrito a grandes empresas e prédios corporativos. Mas, nesta pequena cidade, a tecnologia ganhou rosto, voz e resultado concreto.

Ela aproximou gerações — jovens ensinando comerciantes tradicionais — e transformou algo simples, como comprar ovos, em uma experiência nova e prática.

Mais do que números impressionantes no caixa, o que ficou foi a sensação de oportunidade. Como disse Yang, mesmo sem tempo para almoçar nos dias mais corridos, ele não reclamava:

“Foi cansativo, mas valeu a pena. Ver a loja cheia e os pedidos não pararem de chegar dá uma alegria que não tem preço.”

Às vezes, a verdadeira inovação não está apenas na tecnologia em si, mas no impacto real que ela gera na vida das pessoas. E, nesse caso, tudo começou com uma simples frase dita em voz alta.

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