Ex-bilionário chinês volta após 9 anos e aposta bilhões para criar uma IA mais inteligente que os humanos e decifrar a consciência

O retorno de um ex-bilionário: do “rei dos games” ao hacker da consciência

Ex-bilionário chinês volta após 9 anos e aposta bilhões para criar uma IA mais inteligente que os humanos e decifrar a consciência

Em março de 2026, Chen Tianqiao, fundador do grupo Shanda e antigo homem mais rico da China, voltou aos holofotes após nove anos de relativo silêncio. Aos 31 anos, ele havia dominado a indústria de jogos online com títulos como Legend of Mir, tornando-se uma figura lendária no setor. Hoje, vivendo na Califórnia, seu foco mudou completamente.

Em vez de construir jogos virtuais, Chen quer enfrentar um desafio muito maior: decifrar o “código-fonte” da consciência humana.

Segundo ele, o objetivo atual é desenvolver uma inteligência artificial mais inteligente que os próprios humanos e acelerar o caminho para a chamada AGI (Inteligência Artificial Geral). Em tom bem-humorado, Chen chegou a dizer que, no futuro, a história poderá ser dividida em dois períodos: “antes do ChatGPT” e “depois do ChatGPT”.


A aposta em uma nova abordagem: “IA de descoberta”

Para transformar essa visão em realidade, Chen Tianqiao pretende investir mais de 2 bilhões de dólares em pesquisas de inteligência artificial.

Mas ele não quer seguir exatamente o mesmo caminho das grandes empresas de tecnologia. Em vez de focar apenas em grandes modelos de linguagem (LLMs), Chen propõe um conceito diferente: “IA de descoberta”.

A ideia central é simples, mas ambiciosa.

  • Ir além da imitação: enquanto muitos sistemas atuais aprendem imitando conteúdos produzidos por humanos, a IA de descoberta busca encontrar soluções e conhecimentos que os humanos ainda não conseguem produzir.
  • Criar um ciclo lógico completo: integrando memória de longo prazo, raciocínio causal e modelos de previsão, a tecnologia poderia descobrir padrões complexos no mundo real.
  • Prever eventos complexos: desde desastres naturais até movimentos geopolíticos.

Se funcionar, esse tipo de IA poderia ajudar cientistas a descobrir novos medicamentos, analisar cenários globais ou até melhorar estratégias de investimento em plataformas de previsão.


Energia limpa para alimentar a próxima geração de IA

Treinar modelos avançados exige enormes quantidades de energia. E Chen parece já ter pensado nisso anos atrás.

Em 2018, ele adquiriu cerca de 700 mil acres de florestas nos Estados Unidos e no Canadá. Agora, essas terras podem ganhar um novo papel: abrigar centros de computação alimentados por energia geotérmica.

O plano inclui:

  • Construir data centers movidos por energia limpa e constante
  • Investir entre 300 e 500 milhões de dólares em instalações piloto
  • Abrir a infraestrutura para cientistas de IA do mundo inteiro

Para Chen, o retorno financeiro não é a prioridade no momento.

“Tenho capital suficiente. O lucro não é algo urgente agora”, afirmou.


Existe uma bolha de IA?

Muitos analistas discutem se o boom atual da inteligência artificial é uma bolha tecnológica. Chen Tianqiao discorda completamente.

Na visão dele, o que está acontecendo é algo muito mais profundo:

a humanidade está criando uma inteligência que pode ultrapassar a própria inteligência humana.

Isso, segundo ele, torna o momento atual diferente de qualquer outra fase da história da tecnologia.


China e EUA deveriam jogar no mesmo time

Sobre a rivalidade tecnológica entre China e Estados Unidos, Chen adotou uma postura conciliadora.

Ele comparou a situação a uma partida de futebol:

“Eu passaria a bola para quem estivesse mais perto do gol. O importante é marcar.”

Em outras palavras, o avanço da inteligência artificial deveria ser um esforço global, não uma competição geopolítica.


A conexão entre IA e cérebro humano

Além da inteligência artificial, Chen também continua investindo pesado em interfaces cérebro-computador (BCI) e pesquisas sobre o cérebro.

Ele já destinou cerca de 1 bilhão de dólares para estudos de neurociência.

Para ele, o verdadeiro salto tecnológico não virá apenas de mais chips ou mais poder computacional, mas de uma nova compreensão da própria mente humana.

A combinação entre neurociência e ciência da computação pode ser o caminho mais curto para atingir a AGI.


Um novo capítulo na era “pós-ChatGPT”

Estamos apenas alguns anos dentro da chamada era “pós-ChatGPT”, e o ritmo das transformações já é impressionante.

Enquanto muitas empresas disputam mercado e produtos comerciais, Chen Tianqiao parece mirar algo ainda maior: entender a inteligência em sua forma mais profunda — seja humana ou artificial.

Se sua visão se concretizar, o próximo grande avanço da tecnologia talvez não seja apenas um novo aplicativo ou um modelo mais poderoso.

Pode ser uma nova maneira de entender a própria consciência.

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