Nos últimos meses, um fenômeno curioso começou a ganhar força em plataformas como Xianyu e Xiaohongshu: a ideia de que, com o preço de um simples chá com leite, qualquer pessoa pode “encomendar” um aplicativo de IA sob medida. O que antes parecia impossível agora virou uma nova forma de renda para muitos jovens.
Por trás dessa tendência estão ferramentas de inteligência artificial, como o app Lingguang, que permitem criar aplicações sem necessidade de saber programar. Com elas, pessoas comuns estão se transformando em pequenos empreendedores digitais, oferecendo serviços simples, rápidos e baratos — o que muitos chamam de “aplicativos feitos à mão”.
Os preços são acessíveis: cerca de 5 yuans para corrigir bugs, 8 yuans para sugerir melhorias e até 19,9 yuans para desenvolver um aplicativo completo. Alguns vendedores chegam a faturar bem vendendo soluções específicas, como aplicativos de acompanhamento pessoal, que podem alcançar centenas ou até milhares de vendas por mês.
O mais interessante é que muitos desses criadores não têm nenhuma formação em tecnologia. Eles utilizam a IA para testar ideias, ajustar comandos e estruturar funcionalidades até chegar a um produto funcional. Aplicativos simples, como um rastreador de crescimento infantil, um assistente para controle de gastos em reformas ou um verificador de tarefas escolares, já são suficientes para gerar renda.
Segundo alguns vendedores, o cenário mudou completamente: antes, desenvolver um aplicativo exigia meses de trabalho e investimentos altos. Hoje, basta descrever uma ideia e, em poucos minutos, já é possível ter um protótipo. O diferencial deixou de ser a habilidade técnica e passou a ser o entendimento do usuário e a capacidade de oferecer um bom serviço.
Além da venda direta de aplicativos, outro mercado que cresce é o de tutoriais e pacotes de prompts. Cursos simples, ensinando como criar e vender aplicações com IA, são vendidos por menos de 10 yuans e atraem muitos iniciantes. Para alguns, ensinar a usar a IA virou até mais lucrativo do que desenvolver aplicações.
Nesse ecossistema, os papéis de comprador e vendedor se misturam. Muitas pessoas começam como clientes, aprendem com os materiais adquiridos e depois passam a oferecer seus próprios serviços. Nichos extremamente específicos — como controle de gastos com pets ou tradução de placas em idiomas raros — encontram seu público nesse mercado fragmentado.
Especialistas acreditam que estamos diante de uma mudança profunda na forma como softwares são criados. Se antes o desenvolvimento era restrito a grandes empresas ou programadores experientes, agora qualquer pessoa pode participar. A IA está tornando a criação de aplicativos tão simples quanto escrever um texto.
Claro, nem tudo são vantagens. Existem desafios como concorrência de preços muito baixos, qualidade inconsistente dos serviços e promessas exageradas em alguns cursos. Ainda assim, o entusiasmo em torno dessas ferramentas mostra o quanto as pessoas estão interessadas em explorar novas formas de ganhar dinheiro com tecnologia.
Com plataformas como o Lingguang já acumulando mais de 12 milhões de aplicativos criados por usuários, fica evidente que essa tendência veio para ficar. A possibilidade de transformar ideias do dia a dia em produtos digitais comercializáveis está abrindo espaço para uma nova economia — mais acessível, mais rápida e cada vez mais popular.