A inteligência artificial incorporada, conhecida como Embodied AI, está cada vez mais próxima de um grande ponto de virada — mas ainda não chegou lá. Durante o Fórum Anual de Yabuli 2026, realizado em 17 de março, Wang Xingxing, fundador da Unitree Robotics, compartilhou uma visão mais cautelosa sobre o futuro dessa tecnologia.

Segundo ele, o chamado “momento ChatGPT” da inteligência incorporada — ou seja, quando robôs atingirem um nível de autonomia realmente transformador — está próximo, mas ainda deve levar de dois a três anos para acontecer.
O que seria esse “momento ChatGPT” dos robôs?
Na visão de Wang, esse marco acontece quando um robô for capaz de:
- Operar em cerca de 80% de ambientes desconhecidos
- Executar 80% das tarefas apenas com instruções em linguagem natural (texto ou voz)
Em outras palavras, seria o momento em que máquinas passariam a compreender o mundo físico com a mesma fluidez que modelos atuais de IA entendem linguagem.
Um avanço mais lento… ou talvez não?
Embora a previsão pareça conservadora, Wang também destacou que avanços inesperados em algoritmos podem acelerar esse processo. E olhando para os últimos meses, o progresso tem sido constante:
- Setembro de 2025: previsão de que robôs humanoides poderiam começar a trabalhar de forma autônoma até o fim de 2026
- Final de 2025: indicação de que o ponto de inflexão poderia ocorrer em 1 a 2 anos
- Janeiro de 2026: afirmação de que quem conseguir desenvolver um modelo de IA para robôs nesse nível mereceria até um Prêmio Nobel
O maior desafio ainda está na integração
Apesar do crescimento acelerado das empresas de robótica, a tecnologia ainda enfrenta um obstáculo importante: a integração profunda entre software (IA) e hardware (corpo do robô).
Hoje, os chamados “modelos de IA para robôs” ainda estão em estágio inicial. O grande desafio é fazer com que esses sistemas consigam:
- Interpretar o ambiente físico com precisão
- Tomar decisões em tempo real
- Adaptar-se a situações imprevisíveis
Quando isso acontecer, tudo muda
O verdadeiro salto da inteligência incorporada virá quando os robôs conseguirem entender o mundo real com a mesma naturalidade com que sistemas atuais entendem texto.
Nesse momento, deixaremos de ver robôs apenas como máquinas programadas — e passaremos a enxergá-los como parceiros ativos no cotidiano, presentes em casas, empresas e cidades.
Ainda não estamos lá. Mas, ao que tudo indica, também não estamos tão longe assim.