No dia 23 de março, a OpenAI deu um passo importante no mercado de tecnologia ao enviar uma solicitação formal à Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA). O objetivo é incluir o ChatGPT como uma opção de mecanismo de busca padrão no sistema Android e no navegador Chrome, atualmente dominados pelo Google.

Essa iniciativa marca um momento relevante na evolução da busca online. Segundo as regras da CMA para promover um mercado mais aberto, o Google deve oferecer aos usuários uma “tela de escolha”, permitindo selecionar livremente seu provedor de busca padrão. A OpenAI argumenta que esse conceito precisa ser atualizado para refletir a nova realidade: hoje, muitas pessoas já preferem buscar informações por meio de interações conversacionais e multimodais, em vez de usar buscadores tradicionais.
Na prática, isso significa que ferramentas como o ChatGPT já desempenham funções típicas de um mecanismo de busca — com a diferença de entregar respostas mais completas, contextualizadas e interativas. Por isso, a empresa defende que plataformas de IA com capacidade de “busca generativa” também sejam incluídas nas opções disponíveis ao usuário, e não apenas motores clássicos como o Bing.
Os números reforçam esse argumento. O ChatGPT já conta com cerca de 900 milhões de usuários ativos por semana. Apesar disso, ainda não possui integração nativa como mecanismo de busca padrão — sendo necessário recorrer a extensões ou configurações manuais no Chrome.
Enquanto isso, o próprio Google vem incorporando recursos de inteligência artificial em seus resultados, como o AI Overviews. Diante desse cenário, a OpenAI acredita que deve ter acesso igualitário ao mercado, oferecendo uma alternativa direta dentro dos sistemas mais utilizados do mundo.
Caso a solicitação seja aprovada, o impacto pode ser significativo. Isso não apenas desafia o domínio histórico dos buscadores tradicionais, mas também sinaliza uma mudança estrutural: a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta complementar e passa a ocupar um espaço central na experiência digital.
Mais do que uma disputa entre empresas, essa movimentação pode levar reguladores a repensar o que realmente significa “buscar informação” na era digital. E, no longo prazo, pode acelerar a descentralização do mercado global de buscas, abrindo espaço para novas formas de interação entre usuários e tecnologia.